Quero e não quero escrever.
Quero, mas não sei o quê.
Sinto meu coração se apertar
Angústia?
Deixe-me em paz, não quero você aqui
Quero sentimentos felizes,
nem sempre "traduzidos em palavras"
Quero apenas sentir.
A dúvida, amiga dispensável, vive ao meu lado
Torturando-me meus pensamentos
Loucos, tortos, tensos, confusos
Sem resposta... E ela chega novamente,
ela, a dúvida
Pode ir agora, deixe-me descansar,
deixe-me viver.
Percebo o que me machuca,
mas não encontro a saída...
Não depende de mim
A esperança... Sim!
Ó doce esperança, que me faz sentir
que ainda posso vencer
Fique ao meu lado, aproveite a saída da dúvida,
tome seu lugar
Quem sabe agora seremos felizes...
Mas o que estou pensando?
Felizes já somos...
Quem sabe agora seremos um só coração,
quem sabe amanhã...
É, esperança, quem sabe amanhã...
(Fernanda Silva Dias - 22/10/03)
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
LA DANSE
Saiu aquele dia com a mente pensante
Parou e pensou nas fases da vida
Lembrou de quando era pequena e vibrante
E os caminhos lhe foram curando as feridas.
Num plié abaixou-se para não se atingir,
pas de chat realizou para de outro fugir
e com um grandjeté as barreiras saltou
quando criança pequena sozinha ficou.
O sodange o fez para mudar de lugar
o pointé lhe indicou em quem confiar
nem sempre deu certo essa dança fazer
pois não há na verdade como o saber.
O perigo aumentou, já sabia fugir
olhou para o chão, fez um belo fondue
daí o developpé fluiu com beleza
e passou pelo problema com muita proeza.
Parou numa pose e então se informou
estudou, se formou, a todos agradou
em um pas de valse a vida passando
e com calma seus passos ela foi embalando.
Logo logo dançou um longo pas de deux
a dança dos dois com um beijo selou
e foi um tal de
pas de bourré,
pirouette,
grandplié,
grandjeté
um,
dois,
três,
quatro...
Ufa! Que amor!
E ela caminha neste novo dia
Continua com a mente pensante
Mas pára de pensar nas fases da vida
Ainda é a mesma pequena vibrante
E tenta curar-se de outras feridas...
ET LA DANSE EST FINIE PAR UN BEL ARABESQUE.
Parou e pensou nas fases da vida
Lembrou de quando era pequena e vibrante
E os caminhos lhe foram curando as feridas.
Num plié abaixou-se para não se atingir,
pas de chat realizou para de outro fugir
e com um grandjeté as barreiras saltou
quando criança pequena sozinha ficou.
O sodange o fez para mudar de lugar
o pointé lhe indicou em quem confiar
nem sempre deu certo essa dança fazer
pois não há na verdade como o saber.
O perigo aumentou, já sabia fugir
olhou para o chão, fez um belo fondue
daí o developpé fluiu com beleza
e passou pelo problema com muita proeza.
Parou numa pose e então se informou
estudou, se formou, a todos agradou
em um pas de valse a vida passando
e com calma seus passos ela foi embalando.
Logo logo dançou um longo pas de deux
a dança dos dois com um beijo selou
e foi um tal de
pas de bourré,
pirouette,
grandplié,
grandjeté
um,
dois,
três,
quatro...
Ufa! Que amor!
E ela caminha neste novo dia
Continua com a mente pensante
Mas pára de pensar nas fases da vida
Ainda é a mesma pequena vibrante
E tenta curar-se de outras feridas...
ET LA DANSE EST FINIE PAR UN BEL ARABESQUE.
No escuro
Dizem-me que escrevo
nessas linhas tortas,
mortas
apenas quando sofro.
Desvio torto, pensamento oco
aperto no peito
morrer por dentro.
Se tudo está mantido em segredo
e tudo só é isso
então verdadeiramente escrevo assim
pois no sorriso soltamos tudo
no choro soltamos nada.
E nas linhas desses versos construo
mais um desabafo
de minha longa jornada.
nessas linhas tortas,
mortas
apenas quando sofro.
Desvio torto, pensamento oco
aperto no peito
morrer por dentro.
Se tudo está mantido em segredo
e tudo só é isso
então verdadeiramente escrevo assim
pois no sorriso soltamos tudo
no choro soltamos nada.
E nas linhas desses versos construo
mais um desabafo
de minha longa jornada.
domingo, 1 de junho de 2008
A FÁCIL ARTE DE AFASTAR - (de dentro do ninho)
Não sei o que provoca, mas sei que o que ocorre é real. Na verdade, real já relativiza tudo o que penso, pois irá depender do ponto de vista, e o que aprendi em Dom Casmurro é que, ao narrarmos algo, estamos demonstrando as coisas sob nossa própria perspectiva, o que faz com que a nossa realidade seja apenas vsível aos nossos olhos. Mas a questão desse livro aprofunda-se no aspecto sentimento, já que não somos capazes de imaginar o que o mesmo pode fazer dentro de nós.
Ao pensar profundamente - porém duvido da extensão dessa profunidade - aquilo que nos acontece toma uma proporção bem maior do que deveria ser. Talvez a maneira correta de analisarmos situções-problema seria equivalente à do narrador-observador: uma terceira pessoa, que não faz parte da história. O maior desafio é sabermos passar de protagonistas a meros expectadores; a verdade é que gostamos de estar no meio dos acontecimentos.
Então não seria justo analisar aqui o que estou sentindo. De repente eu não seria tão verdadeira comigo, ou apenas seria o que os outros gostariam que fosse. Ou ainda, seria o que Deus me ensinou a ser. E sobre esse último, acredito ser o melhor. Somente tenho que descobrir como.
Como Bentinho, me sinto destroçada por dentro, não vejo luz a minha frente para que eu possa resolver os desafios. Na realidade, a vontade de buscá-la me falta. Talvez esse tenha sido seu erro: estava tão cego de ciúmes, que nem a vontade de vencer esse sentimentozinho ele teve. Talvez Bentinho estivesse tão cansado de sofrer com todo o dilema da traição, que faltava-lhe forças para ao menos indagar sobre a real origem de seu problema. E o resultado foi o esperado: acabou sozinho. E como ele, a raiva me domina, me cega e me faz ver-me em um beco sem saída. Quem tem razão sou eu - teimando aqui com um sábio que me disse que não existe quem esteja com a razão - e já que eu venço essa, a solução é afastar a todos os que me causam esse sentimento e então, fico bem. Ou melhor, sozinha.
Bentinho poderia ter tomado outro rumo. Ele poderia mesmo ter esclarecido as coisas, indagado sobre a raiz de seus sentimentos e de repente ter descoberto que eles estavam distorcidos. Não que eu defenda Capitu, na verdade, não me interessa se ela o traiu ou não, a vida é deles. Mas me chama a atenção a forma como o protagonista encarou tudo, ou melhor, se livrou de tudo. A cegueira de seu ciúme de fato o deixou mais forte, no sentido em que já havia se tornado uma muralha, a ponto de não deixar que amolecessem seu coração. E é isso que estou me tornando. Tantas as feridas, tanta a dor, que acabo me afastando dos que amo. E para isso, não há água que me faça amolecer - por fora. Porque, na verdade, por dentro sou um poço de lama, gelatina, leite condensado - o que quer que seja necessário para mostrar como não passo de um elemento pastoso.
E que sentimento é esse que guardamos a ponto de nos tornarmos um escudo para nós mesmos? Bentinho não aceitava outro ponto de vista: ele estava certo. E tão certo estava, que seu interior se corroía e, para realmente enfatizar, acabou sozinho, pois corroeu não somente quem era, mas também quem estava ao seu redor. Aos poucos, sinto-me corroída também. E talvez tenha corroído muita gente sem perceber que o fiz. Cabe a mim saber parar.
Meu querido Dom Casmurro terminou sua história sentado, acompanhado apenas de uma pessoa que era obrigada a estar com ele: seu criado. Posso escolher terminar como ele, é mais cômodo. No final das contas, não temos que ficar discutindo relação com ninguém. Seu criado vai sempre ouvi-lo, vai sempre estar perto quando você chamar, vai ser sempre seu companheiro de todas as horas - mesmo que por dever. E assim ele se torna nossa marionete, sem ser capaz de nos corrigir, nos aconselhar, nos amar. Por isso acabamos sozinhos. E isso tudo é uma esolha, e, no momento, contrariando meu caro Bentinho, não quero escolher ficar com um robô. Vou fazer o oposto do que fez, tentar me compreender mais, amar mais e perdoar mais. Ainda não sei muito bem como fazê-lo, mas uma coisa é certa: meu final será diferente de um grande clássico, famoso por seu emaranhado de indagações. Meu final será feliz! E eu escolho amar, e não ficar sozinha.
Então não seria justo analisar aqui o que estou sentindo. De repente eu não seria tão verdadeira comigo, ou apenas seria o que os outros gostariam que fosse. Ou ainda, seria o que Deus me ensinou a ser. E sobre esse último, acredito ser o melhor. Somente tenho que descobrir como.
Como Bentinho, me sinto destroçada por dentro, não vejo luz a minha frente para que eu possa resolver os desafios. Na realidade, a vontade de buscá-la me falta. Talvez esse tenha sido seu erro: estava tão cego de ciúmes, que nem a vontade de vencer esse sentimentozinho ele teve. Talvez Bentinho estivesse tão cansado de sofrer com todo o dilema da traição, que faltava-lhe forças para ao menos indagar sobre a real origem de seu problema. E o resultado foi o esperado: acabou sozinho. E como ele, a raiva me domina, me cega e me faz ver-me em um beco sem saída. Quem tem razão sou eu - teimando aqui com um sábio que me disse que não existe quem esteja com a razão - e já que eu venço essa, a solução é afastar a todos os que me causam esse sentimento e então, fico bem. Ou melhor, sozinha.
Bentinho poderia ter tomado outro rumo. Ele poderia mesmo ter esclarecido as coisas, indagado sobre a raiz de seus sentimentos e de repente ter descoberto que eles estavam distorcidos. Não que eu defenda Capitu, na verdade, não me interessa se ela o traiu ou não, a vida é deles. Mas me chama a atenção a forma como o protagonista encarou tudo, ou melhor, se livrou de tudo. A cegueira de seu ciúme de fato o deixou mais forte, no sentido em que já havia se tornado uma muralha, a ponto de não deixar que amolecessem seu coração. E é isso que estou me tornando. Tantas as feridas, tanta a dor, que acabo me afastando dos que amo. E para isso, não há água que me faça amolecer - por fora. Porque, na verdade, por dentro sou um poço de lama, gelatina, leite condensado - o que quer que seja necessário para mostrar como não passo de um elemento pastoso.
E que sentimento é esse que guardamos a ponto de nos tornarmos um escudo para nós mesmos? Bentinho não aceitava outro ponto de vista: ele estava certo. E tão certo estava, que seu interior se corroía e, para realmente enfatizar, acabou sozinho, pois corroeu não somente quem era, mas também quem estava ao seu redor. Aos poucos, sinto-me corroída também. E talvez tenha corroído muita gente sem perceber que o fiz. Cabe a mim saber parar.
Meu querido Dom Casmurro terminou sua história sentado, acompanhado apenas de uma pessoa que era obrigada a estar com ele: seu criado. Posso escolher terminar como ele, é mais cômodo. No final das contas, não temos que ficar discutindo relação com ninguém. Seu criado vai sempre ouvi-lo, vai sempre estar perto quando você chamar, vai ser sempre seu companheiro de todas as horas - mesmo que por dever. E assim ele se torna nossa marionete, sem ser capaz de nos corrigir, nos aconselhar, nos amar. Por isso acabamos sozinhos. E isso tudo é uma esolha, e, no momento, contrariando meu caro Bentinho, não quero escolher ficar com um robô. Vou fazer o oposto do que fez, tentar me compreender mais, amar mais e perdoar mais. Ainda não sei muito bem como fazê-lo, mas uma coisa é certa: meu final será diferente de um grande clássico, famoso por seu emaranhado de indagações. Meu final será feliz! E eu escolho amar, e não ficar sozinha.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Com os pés no chão
Meu querido,
fui por ti impedido de entrar em outro planeta,
perdi o encontro com grandes figuras
deixei de conhecer as mais belas facetas
e fiquei do lado de fora a aguardar...
Tentei substituir-te a todo momento
caminhei sem rumo pelas ruas lotadas
e embora essa busca causasse tormento
tu no meu pé ficaste sem sair do lugar...
Por causa de ti larguei minha meta
as pessoas, as obras, o canto, a alegria
minha amiga me aguardava lá dentro na certa
esperando ansiosa que eu fosse chegar...
Não o culpo por isso, a culpa foi minha
de levar-te comigo a todo lugar
por isso daqui estou decidido
que, ao sair, tu no meu pé não vais mais ficar.
fui por ti impedido de entrar em outro planeta,
perdi o encontro com grandes figuras
deixei de conhecer as mais belas facetas
e fiquei do lado de fora a aguardar...
Tentei substituir-te a todo momento
caminhei sem rumo pelas ruas lotadas
e embora essa busca causasse tormento
tu no meu pé ficaste sem sair do lugar...
Por causa de ti larguei minha meta
as pessoas, as obras, o canto, a alegria
minha amiga me aguardava lá dentro na certa
esperando ansiosa que eu fosse chegar...
Não o culpo por isso, a culpa foi minha
de levar-te comigo a todo lugar
por isso daqui estou decidido
que, ao sair, tu no meu pé não vais mais ficar.
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