quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Soneto ao pensador

Tens uma ironia que se desfaz
tu és o mais hilário dos falados
todos os falsários denunciados
quem ao teu lado passa não tem paz.

A magia com que teu verso faz
a denúncia de modos mascarados
não tem escapatória do teu lado
tu mostras as vergonhas sociais.

A ninguém necessitas tu gabar
de todos, é certo, tu és o rei
tu sabes, não precisas te orgulhar.

Tu picas a flor sem deixar murchar
se de ti falam, te defenderei
a mim tu não precisas humilhar.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Atos

Alguém se deita e se levanta
uma palavra: terminou tudo
o olhar terno se desencanta
e o falar se torna mudo.

Alguém se julga pelo que fez
e o mundo faz parte disso
talvez tenha sido insensatez
ou um eterno compromisso.

Sem caráter, o insensível
segue caminhando
e pensando...

Sendo julgado por seu ato
segue sorrindo
e amando...

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Nós

Menino dos olhos famintos
que te fiz eu?
Teu olhar parece distante
talvez seja erro meu.

Deixaste de me falar
teu sorriso - ele existe?
Não consigo encontrá-lo
nosso caminho anda triste.

A planta agora onde está?
Falavas tanto dela
Ainda estás a regá-la
ou a esqueceste na janela?

O cansaço toma conta de ti
e também do seu coração
Venha, vamos caminhar
estou contigo, pega minha mão.

Quem sabe assim a semente não encontre seu sol
e a chuva possa fazer ressurgir
entre duas almas esquecidas no silêncio
a insaciável vontade de reagir.